outro canto matinal

Eu vi subir o dia de asas claras
sobre a terra saudável. Havia entre as varas
dos salgueiros teias de aranha
em que o sol enfiara contas de vidro.
Os guisos dos rebanhos riam no ar polido,
pelos caminhos da montanha.

Eu vi subir o dia
com o seu cântaro de mel que enche os olhos ocos.
A última estrela desaparecia:
era a última nota de prata
que saíra, bem alta,
da garganta de um galo e ia morrendo aos poucos.

E, entre todas as coisas renascidas,
eu tive o desejo calmo
de nascer duplamente e viver duas vidas
no corpo anfíbio de algum fauno.

Guilherme de Almeida

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