para contar silêncios

Como inventar o traço do silêncio,
seus mais leves tremores, seu pecado?
Como dizer das dores insolúveis,
do suspiro mudo e antecipado,
do tênue risco do horizonte que existia
e hoje ondula, desvairando os montes,
transgredindo a noite nos solos do dia?

Como pedir ao mundo que me espere
em eterno modo de viver calado
sem que o segredo interno dilacere
em meu sussurro rimas insondáveis?

Como, em pronúncia muda, desmedida,
relatar a vida inteira num só gesto
de imprevisível silêncio, que jazia
no astro devolvido – golpe desferido
no pudor da noite, na nudez do dia?

Lilia Silvestre Chaves

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