voz

Minha carne é fibra de argila e sol
verão. Ou docas onde a dor se encuba
secretamente.  Sei que em meu paiol
os andróides de porre dançam rumba.
No entanto flui de mim um girassol
lilás que luz, que jazz, que mais que alumbra,
esculpe as esquadrias do arrebol
dissolve o tempo sobre a minha juba.
Já de júbilo desse pergaminho,
aceito o temporal – redemoinho
de pedras: tanto degrau… tanta esgrima…
e ao ter somente a voz como caminho
agarro a poesia pela crina
e me  arrimo na minha própria rima.

Salgado Maranhão

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