amor vegetal

Não creio que as árvores
fiquem em pé, em solidão, durante a noite.
Elas se amam. E entre as ramagens e raízes
se entreabrem em copas
em carícias extensivas.
Quando amanhece,
não é o cantar de pássaros que pousa em meu ouvidos,
mas o que restou na aurora
de seus agrestes gemidos.

Affonso Romano de Sant’Anna

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