soneto que reitera o pedir um tempo

Parece que o trem não sai da estação,
não apita o navio preso ao cais.
Aviões? Só uma carroça sem tração
me conduz solfejando muitos ais.
Parece que está longe o nono mês,
que o outono não produz polpa na fruta.
A análise, com sono e flacidez,
parece uma empreitada sem labuta.
Você tenta pintar cenas bucólicas
(só falta me fazer sentir pastora!)
e, provocando em mim cruentas cólicas,
diz-me: “Querida, estás na incubadora.”

Quero um tempo, avaliar a terapia
sem apartes de vossa senhoria.
Impaciente, aflita
com a hemorragia
de minhas alegrias,
me distancio da análise.
Dúvidas se inscrevem
no presente,
e preciso viajar sozinha.

Viagem interna,
levando a alma
como lanterna.

Rita Moutinho

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