copacabana à tarde

Não tenho tempo a perder. Por isto
perco tempo, e me disperso na rua. O azul
cobalto do céu esmalta a pele da noite
ainda impúbere. Cajado na mão, rastreio
o alfabeto das águas, sob o asfalto
escaldante. Há, na raiz da amendoeira, um poço
onde a alegria começa. Para encontrá-lo,
basta deslizar pelas vertentes da brisa
que sopra em meio ao tráfego. Aí, entre os
dedos do vento, respira o verdor da primavera,
o grito do louva-a-deus entre aflitos
semáforos, o raso clamor da grama
entre as gretas da pedra.

Hélio Pellegrino

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