envelhecer, ou velho ser…

Não quero envelhecer amargo e triste
Como a maioria das pessoas que conheço
Quero ser doce como o jiló verdinho
Do qual poucos, pouquíssimos gostam
Mas, quando apreciam, o fazem com prazer.
Quero ser alegre como a cruz à beira da estrada
Onde poucos param ali para orar
Mas, quando o fazem é com sentimento maior.
Não permitirei que a velhice me abocanhe
Com as tristuras da soturnez e da solidão
Quero ser luzidio como o canto do urutau
Que muitos temem, mas que outros prezam
E se deliciam com seu cantar nas noites frias de luar
Entendem que ele clama pela presença da amada…
Quero ser sociável como um ermitão que se isola
Com a inverdade de fazer algo pela sociedade
Mas, que está fugindo dela própria e dele mesmo
Numa busca incessante do saber algo mais sobre algo…
Quero envelhecer fazendo poemas descompromissados
Com o compromisso de fazer poemas que nada digam
Numa complexa luta de não saber nunca o que eu quero.
Afinal, os poetas estão aí mais para confundir
Do que para explicar alguma coisa para alguém.
Pobres poetas!

Dirceu Thomaz Rabelo

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Uma resposta to “envelhecer, ou velho ser…”

  1. Dirceu Rabelo Says:

    Grato pela oportunidade de estar com nosso poema nesta página virtual do “Bálsamo Benigno” Fiquei muito feliz em saber que estou aqui também, que mais alguém me lê… Beijos no seu coração!

    Curtido por 1 pessoa

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