ao céu e à terra

Ao céu e à terra ostento minha glória
forjada em descampados irrisórios,
histórias de batalhas e os sintomas
que as suplantaram, véu de mansas sombras.

Persegue-me este ocaso que avermelha
o fim da tíbia tarde em que me alheio,
alegre ou triste, ao sulino desígnio
que alenta minhas noites, dias, vidas –

que muitas houve ao tempo que se elude –,
pois quis largar-me ao mar mais do que tudo,
náufrago intento, pródigo à desdita.

Poeta fui, ao léu, nuvem de calças,
léxico em punho, sempre aos céus assalto
e até o fim dissipo-me em sentido.

Ricardo Portugal

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