de todas as obras

De todas as obras humanas, as que mais amo
São as que foram usadas.
Os recipientes de cobre com as bordas achatadas, e com
                         mossas
Os garfos e facas cujos cabos de madeira
Foram gastos por muitas mãos; tais formas
São para mim as mais nobres. Assim também as lajes
Polidas por muitos pés, e entre as quais
Crescem tufos de grana: estas
São obras felizes.

Admitidas no hábito de muitos
com frequência mudadas, aperfeiçoam seu formato e
                          tornam-se valiosas
Porque delas tanto se valeram.
Mesmo as esculturas quebradas
com suas mãos decepadas, me são queridas. Também
                          elas
São vivas para mim. Deixaram-nas cair, mas foram
                         carregadas.
Embora acidentadas, jamais estiveram altas demais.
As construções quase em ruína
Têm de novo a aparência de incompletas
Planejadas generosamente: suas belas proporções
Já podem ser adivinhadas, ainda necessitam porém
De nossa compreensão. Por outro lado
Elas já serviram, sim, já foram superadas. Tudo isso
Me contenta.

Bertolt Brecht

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Uma resposta to “de todas as obras”

  1. anisioluiz2008 Says:

    Republicou isso em O LADO ESCURO DA LUA.

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