lua daquele tempo

Quando a lua parnasiana e pálida aparece redonda vagalumeando na outra margem do rio meus sonhos são verdes e imaturos. Os seios da moça amada, imaginada, são luas que quartocrescem nos olhos e no desejo. Quando mocinhos e bandidos duelam ao sol, Marilyn Monroe é pecado que mora no lado esquerdo. Quando do outro lado da rua, a lua – atlântica e romântica – ilumina minhas lembranças, Brigitte Bardot, minha namorada nada secreta, escorre em mim, água sempre morna, no banheiro do colégio interno, onde Deus tudo vê, espreita e pune. Quando o topete de Elvis Presley é minha guitarra e não danço o último tango de Brando em Paris e Garrincha entorta o mundo com seu jeito de torto de driblar a vida, a lua é moderna e poluída sem brilho, violão ou janela. É elétrica e dá choque.

Ronald Claver

Anúncios

Tags:

Uma resposta to “lua daquele tempo”

  1. Para ti quando eu me for, meu filho... Says:

    Gostei!

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: