Archive for the ‘Anna Akhmátova’ Category

os mistérios do ofício

02/08/2010

De que servem exércitos de canções
e o encanto das elegias sentimentais?
Para mim, na poesia, tudo tem de ser desmesurado,
e não do jeito como todo mundo faz.

Se vocês soubessem de que lixeira
saem, desavergonhados, os versos,
como dente-de-leão que brota ao pé da cerca,
como a bardana ou o cogumelo.

Um grito que vem do coração, o cheiro fresco de alcatrão,
o bolor oculto na parede…
E, de repente, a poesia soa, calorosa, terna,
Para a minha e tua alegria.

Anna Akhmátova

tudo o que mudo ressoa

14/07/2009

São muitas, seguramente, as coisas
que ainda querem ser cantadas por mim:
tudo o que mudo ressoa,
o que no escuro subterrâneo afia a pedra,
o que irrompe através da fumaça.

Ainda não ajustei contas com a chama,
nem com o vento e nem com a água…

é por isso que a minha sonolência
abre-me, de par em par, os portões
que levam à estrela da manhã.

Anna Akhmátova  – poeta russa

Lançado em 22/09/2008