Archive for the ‘Carlos Ávila’ Category

poeta é…

20/05/2016

O inimigo do mundo (Baudelaire)
Ladrão de fogo (Rimbaud)
Um fingidor (Fernando Pessoa)
Pilar da ponte de tédio (Sá-Carneiro)
Um pulso ferido que sonda as coisas do outro lado (García Lorca)
Lúcido sim, eleito não (Manuel Bandeira)
Um homem sem profissão (Oswald)
Gauche na vida (Drummond)
Irmão das coisas fugidias (Cecília Meireles)
A palavra gatilho/violação luminosa/efêmero azul nas veias (Paul Éluard)
Um anjo alegre e um diabo sem conceito (Jorge de Lima)
Simples e complicado, humilde e orgulhoso, casto e sensual, equilibrado e louco (Murilo Mendes)
A linguagem do homem, a retorcer as formas do pensamento (Dylan Thomas)
Eterno errante dos caminhos (Vinícius de Moraes)
Incapaz de ser cristal raro/vale pelo que tem de cacto (João Cabral)
Coluna sem ornamento, geralmente partida (Mário Faustino)
Um plagiário (Affonso Ávila)
O fim da picada (Torquato Neto)
Um cachorro louco (Leminski)
O que se esqueceu de viver (Régis Bonvicino)

Etc. Etc. Etc. Ad infinitum.

Carlos Ávila

Tecendo um texto

13/07/2009

Um poeta sozinho não tece um texto:
ele precisará sempre de outros poetas.
De um que apanhe esse signo que ele
e o lance a outro; de um outro poeta
que apanhe o signo de um poeta antes
e o lance a outro; e de outros poetas
que com muitos outros poetas se cruzem
os fios de sol de seus signos de poeta,
para que o texto, desde uma teia tênue,
se vá tecendo, entre todos os poetas.
 
Carlos Ávila

Lançado em 19/11/2007