Archive for the ‘Claude McKay’ Category

se temos que morrer

19/08/2011

Se temos que morrer, não o seja como porcos,
Caçados e guardados em lugar infame,
Enquanto, em derredor, ferozes cães famintos
Latem, a escarnecer de nossa mísera sorte.

Se temos que morrer, que o seja nobremente,
Para que não corra à toa o precioso sangue,
E, então, as feras mesmas que desafiamos
Constrangidas serão a honrar os nossos corpos.

Ó enfrentemos, irmãos, o inimigo comum!
Mostremo-nos bravos, apesar de seu número,
Com um golpe mortal revidemos-lhes os golpes!

Que importa se aos pés as covas se escancaram?
Resistiremos, viris, à corja pusilânime,
De encontro ao muro, a agonizar, mas pelejando!

Claude McKay

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américa

29/07/2011

Embora ela me ofereça o pão da amargura
E me sugando o alento, seus dentes de tigre
Em minha goela crave – eu confesso que amo
Este inferno requintado que me põe à prova!

Seu vigor em ondas me invade as veias
E me reacende o ânimo contra o seu ódio.
Como um mar, sua grandeza alaga-me o ser,
Mas, tal um rebelde intrépido a encarar

Suntuoso rei – entre suas paredes me ergo
Sem o mínimo medo, rancor ou escárnio.
Sombriamente perscruto os dias provindouros

E vejo seu esplendor, seus titãs de granito
Sob a palma da mão inexorável do tempo,
Como inestimáveis tesouros, soçobrando na areia.

Claude McKay