Archive for the ‘Iacyr Anderson Freitas’ Category

outurvo/vii

30/05/2011

neste momento
os esgares pulsam:
         as mãos      desfeitas
         de gesto
                           percebem
em cada ruga
         a fotografia
dos anos que passam

o mesmo assunto
para o mesmo
                            e triste
         dilema

por fim
pergunto:

como oferecer-vos
um poema?

Iacyr Anderson Freitas

entre o vário e o vago

07/02/2011

Chegar assim tão longe,
entre o vário e o vago,
para sorver o mundo,
de uma só vez, num trago.

Ir além, mais além
de seu próprio limite,
até que o risco seja
convívio. Ou convite.

Iacyr Anderson Freitas

décimo mirante

28/09/2009

Medir em tudo, do chão que se alarga
o bosque e o muro, o quintal sem alarde,
a lembrança na boca, e tão amarga,
tão terrível que dela o sol não guarde
rastro ou notícia. O negrume, a ária
de privações e ausências que me invade.
A paixão maior, e mais ordinária,
que arma em mim tamanha brutalidade.
Medir em tudo o verão que me enfada:
seus celeiros, seus moinhos, seus bois.
Uma história vivida e não contada.
Há dois caminhos, tão-somente dois.
Agora urge amar a vida, e mais nada.
Tudo o que desconheço vem depois.

Iacyr Anderson Freitas

Lançado em 25/09/09