Archive for the ‘Joyce Moreno’ Category

monsieur binot

31/01/2018

Olha aí, monsieur Binot
Aprendi tudo o que você me ensinou
Respirar bem fundo e devagar
Que a energia tá no ar
Olha aí, meu professor
Também no ar é que a gente encontra o som
E num som se pode viajar
E aproveitar tudo o que é bom

Bom é não fumar
Beber só pelo paladar
Comer de tudo o que for bem natural
E só fazer muito amor
Que amor não faz mal

Então olha aí, monsieur Binot
Melhor ainda é o barato interior
O que dá maior satisfação
É a cabeça da gente
A plenitude da mente
A claridade da razão
E o resto nunca se espera
O resto é a próxima esfera
O resto é outra encarnação…

Joyce Moreno

tudo

24/01/2018

Tudo é alegria
Tudo é fantasia
Tudo é ventania
Tudo é ilusão

Tudo tem seu preço
Tudo é só o começo
Tudo tem o avesso
Tudo tem perdão

Tudo tem resposta
Tudo é uma proposta
Tudo é o que se gosta
Tudo é opção

Tudo tem saudade
Tudo é novidade
Tudo tem verdade
Tudo tem razão

Tudo é relativo
Tudo tem motivo
Tudo é coletivo
E tudo é solidão

Tudo é poesia
Tudo é melodia
Tudo é harmonia
Tudo é uma canção

Joyce Moreno

domingo de manhã

17/01/2018

Acorda a madrugada
Já vem solta a passarada
Alarido, barulhada, já é
De ontem pra amanhã
O sol vem pela fresta
Zera tudo o que não presta
E a matina desembesta, pois é
Domingo de manhã

Lá fora, quantas ilhas
O alvoroço das famílias
Terremotos, armadilhas no ar
E a alma quase sã
Segunda recomeça
Nossa vida, nossa pressa
Tudo agora é só promessa, pois é
Domingo de manhã

Joyce Moreno

delicadeza

10/01/2018

Discreta em companhia de gente esquisita
maldita em ambiente de gente normal
plantando coisas belas num circo de horrores
com flores e bombons no Juízo Final
pintando aquarelas em terra de cego
com pregos, paus e pedras e más intenções
se por delicadeza eu oculto o meu ego
me nego a ser princesa num reino de anões

Bordando sutilezas e finas malícias
delícias num país que não tem paladar
o coração partido de tanta falácia
que passa e a gente nem pode se desviar
sonhando ainda um tempo menos suicida
que diga pra que veio e que possa provar
se por delicadeza eu perder minha vida
saí mesmo à francesa, queira desculpar

Joyce Moreno

mistérios

03/01/2018

Um fogo queimou dentro de mim
Que não tem mais jeito de se apagar
Nem mesmo com toda a água do mar
Preciso aprender os mistérios do fogo
Pra te incendiar
Um rio passou dentro de mim
Que eu não tive jeito de atravessar
Preciso um navio pra me levar
Preciso aprender os mistérios do rio
Pra te navegar
Vida breve
Natureza
Quem mandou, coração
Um vento bateu dentro de mim
Que eu não tive jeito de segurar
A vida passou pra me carregar
Preciso aprender os mistérios do mundo
Pra te ensinar

Joyce Moreno/Maurício Maestro