Archive for the ‘Li Shangyin’ Category

difícil, sempre

02/09/2013

Vê-la difícil. Não vê-la, mais difícil,
Que pode o vento contra as flores cadentes?
Bicho-da-seda se obseda até a morte com o seu fio.
A lâmpada se extingue em lágrimas: coração e cinzas.
No espelho, seu temor: o toucador de nuvem.
À noite, seu tremor: friúmes da lua.
Não é longe, daqui ao monte P’eng,
Ave azul, olho azougue, fala-lhe de mim.

Li Shangyin
(tradução de Haroldo de Campos)

difícil, sempre

30/08/2013

Sempre difícil, encontrarmo-nos, difícil, sempre separarmo-nos.
E murcha cada flor no vento que declina.
Terminado que é o fio, morre na primavera o bicho-da-seda.
A vela seca as lágrimas – quando já é cinza.
De madrugada, o espelho faz-me triste, mudados nele os meus cabelos.
A voz que canta na noite, acorda o frio sentido do luar.
Daqui não é longe… daqui à ilha dos Imortais,
Pássaro azul, depressa, gostava de lhe dar uma espreitadela.

Li Shangyin
(tradução de Gil de Carvalho)

difícil, sempre

26/08/2013

Sempre difícil encontrarmo-nos, difícil também separarmo-nos,
O vento de leste está sem força e todas as flores murcham.
Findo o fio, morre na primavera o bicho-da-seda,
Transformada em cinza a tocha de cera, começam a secar as lágrimas.
De madrugada, o espelho faz-nos triste, o meu cabelo mudou de cor,
tornou-se grisalho.
O canto da noite faz sentir o frio do raio da lua…
Daqui para Pengshan, o caminho não é longo,
Pássaro azul, depressa, dá-lhe uma espreitadela.

Li Shangyin
(tradução de Li Ching)