Archive for the ‘Octavio Paz’ Category

irmandade

09/07/2012

Sou homem: duro pouco
e é enorme a noite.
Porém olho para cima:
as estrelas escrevem.
Sem entender compreendo:
também sou escritura
e neste mesmo instante
alguém me soletra.

Octavio Paz

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trabalhos do poeta

14/07/2009

Uma linguagem que corte o fôlego. Rasante, talhante, cortante.
Essa deve ser a linguagem do poeta.
 
Uma linguagem de aços exatos, de relâmpagos afiados,
de agudos incansáveis, de navalhas reluzentes.
 
Uma dentadura que triture o eu-tu-ele-nós-vós-eles.
Um vento de punhais que desonre as famílias, os templos,
as bibliotecas, os cárceres, os bordéis, os colégios,
os manicômios, as fábricas, as academias, os cartórios,
as delegacias, os bancos, as amizades, as tabernas,
a revolução, a caridade, a justiça, as crenças, os erros,
a esperança, as verdades… a verdade!
 
Octavio Paz (poeta mexicano)

Lançado em 01/09/2008