Archive for the ‘Paulo Leminski’ Category

o que vem depois de sábado

03/03/2017

você nunca vai saber
o quem vem depois de sábado
quem sabe um século
muito mais lindo e mais sábio
quem sabe apenas
mais um domingo

Paulo Leminski

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hai kai

06/05/2013

HAI

Eis que nasce completo
e, ao morrer, morre germe,
o desejo, analfabeto,
de saber como reger-me,
ah, saber como me ajeito
para que eu seja quem fui,
eis o que nasce perfeito
e, ao crescer, diminui.

KAI

Mínimo templo
para um deus pequeno,
aqui vos guarda,
em vez da dor que peno,
meu extremo anjo de vanguarda.

De que máscara
se gaba sua lástima,
de que vaga
se vangloria sua história,
saiba quem saiba.

A mim me basta
a sombra que se deixa,
o corpo que se afasta.

Paulo Leminski

limites ao léu

01/02/2013

POESIA: “words set to music” (Dante
via Pound), “uma viagem ao
desconhecido” (Maiakovski), “cernes e
medulas” (Ezra Pound), “a fala do
infalável (Goethe), “linguagem
voltada para a sua própria
materialidade” (Jakobson),
“permanente hesitação entre som e
sentido” (Paul Valéry), “fundação do
ser mediante a palavra” (Heidegger),
“a religião original da humanidade”
(Novalis), “as melhores palavras na
melhor ordem” (Coleridge), “emoção
relembrada na tranquilidade”
(Wordsworth), “ciência e paixão”
(Alfred de Vigny), “se faz com
palavras, não com idéias” (Mallarmé),
“música que se faz com idéias”
(Ricardo Reis/ Fernando Pessoa), “um
fingimento deveras” (Fernando
Pessoa), “criticism of life” (Mathew
Arnold), “palavra-coisa” (Sartre),
“linguagem em estado de pureza
selvagem” (Octavio Paz), “poetry is to
inspire” (Bob Dylan), “design de
linguagem” (Décio Pignatari), “lo
imposible hecho posible” (García
Lorca), “aquilo que se perde na
tradução” (Robert Frost), “a liberdade
da minha linguagem” (Paulo
Leminski)…

luzes

08/06/2012

acenda a lampada às seis horas da tarde
acenda a luz dos lampiões
inflame  
                a chama dos salões  
                fogos de línguas de dragões  
                vagalumes

numa nuvem de poeira de neon
tudo é claro   
               tudo é claro   
               a noite assim que é bom

a luz acesa na janela lá de casa
o fogo  
               o foco lá no beco      
                                            e o farol

esta noite vai ter sol

                                   Paulo Leminski

lua

05/03/2012

Paulo Leminski

vãs

27/02/2012

vão é tudo
que não for prazer
repartido prazer
entre parceiros

vãs
todas as coisas que vão

Paulo Leminski

sintonia para pressa e presságio

15/04/2011

Escrevia no espaço.
Hoje, grafo no tempo,
na pele, na palma, na pétala,
luz do momento.

Sôo na dúvida que separa
o silêncio de quem grita
do escândalo que cala,
no tempo, distância, praça,
que a pausa, asa, leva
para ir do percalço ao espasmo.

Eis a voz, eis o deus, eis a fala,
eis que a luz se acendeu na casa
e não cabe mais na sala.

Paulo Leminski

ímpetos infinitos

08/11/2010

das coisas
que eu fiz a metro
todos saberão
quantos quilômetros
são

aquelas
em centímetros
sentimentos mínimos
ímpetos infinitos
não?

Paulo Leminski

que pode ser aquilo

18/10/2010

    que pode ser aquilo,
lonjura, no azul, tranquila?

    se nuvem, por que perdura?
montanha,
                  como vacila?

Paulo Leminski

a mim o aquém

15/10/2010

a quem
interessa
esse
além
sem
pressa
?

a mim
este
aquém

o
além
a
quem
interessar
possa

Paulo Leminski