Archive for the ‘Thich Nhat Hanh’ Category

chamem-me pelos meus verdadeiros nomes

12/05/2017

Não digam que parto amanhã
Porque ainda hoje estou chegando.

Olhe bem, a cada instante estou chegando
Para ser um broto em um ramo de primavera
Para ser passarinho, com as asas ainda frágeis,
Aprendendo a cantar em meu novo ninho,
Para ser lagarta no coração de uma flor,
Para ser uma joia oculta em uma pedra.

Ainda estou chegando, para rir e chorar,
Para sentir medo e esperança
O ritmo do meu coração é o nascimento e a morte
De tudo o que está vivo.

Sou a libélula em metamorfose
Na superfície do rio
E sou pássaro
que se lança ao ar para engolir a libélula.

Sou rã que nada alegremente
Nas águas claras de uma lagoa
E eu sou a serpente
que em silêncio se alimenta da rã.

Sou a criança em Uganda, só pele e ossos,
Minhas pernas tão finas como um bambu.
E sou o mercenário
que vende armas para Uganda.

Eu sou a menina de doze anos
Que se refugia em uma balsa
que se lança ao oceano
Após ter sido violentada por um pirata.
E eu sou o pirata
cujo coração ainda não é capaz
de sentir e de amar

Eu sou um membro do Politburo,
Com todo o poder em minhas mãos.
E eu sou o homem que pagou
Sua “dívida de sangue” para com seu povo
Morrendo lentamente em um campo de trabalho forçado.

Minha alegria é como a cálida primavera
Que faz florescer toda a Terra.
Minha dor é como um rio de lágrimas,
Tão vasto que enche os quatro oceanos.

Por favor, chamem-me pelos meus verdadeiros nomes,
Para que eu possa ouvir todos os meus gritos e risos ao mesmo tempo,
Para que eu posso ver que minha alegria e minha dor são uma.
Por favor, chamem-me pelos meus verdadeiros nomes,
Para que eu posso acordar
E a porta do meu coração
Possa permanecer aberta,
A porta da compaixão.

Thich Nhat Hanh

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amor mudo

14/07/2009

Ardendo de amor, as cigarras
cantam: mais belos porém são
os pirilampos, cujo mudo amor
lhes queima o corpo!
 
Thich Nhat Hanh (monge budista vietnamita)
tradução de Herberto Helder (escritor português)

Lançado em 21/11/2008