desertos

29/09/2017

Homens pardos
      pardos de sol
           sol de tempos
                tempos de luta
                     luta da vida
                          vida injusta.

                                                         Newton Baiandeira

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ave de prata

27/09/2017

É muito mais do que muito
Muito mais do que quantos anos todos piorei
É muito mais do que mata
Muito mais do que morrem todos pela planta do pé
É muito mais do que fera
Mais do que bicho quando quer procriar
Uma espécie, sementes da água, mistérios da luz

É muito mais do que antes
Mais do que vinte anos multiplicar
Dividir a mentira
Entre cabelos, olhos e furacões
Inventar objetos
Pela esfinge quando era mulher
Ave de prata
Veneno de fogo
Vaga-lume do mar

O mar que se acaba na areia
Gemidos da terra apoiados no chão
Entre todos que usam os dentes do arpão
Apoiados em cada parede pela mão
Pela mão que criou tantas trevas e luz
e cada coisa perdida
Perdidamente pode se apaixonar
Pela última vida
Poucos amigos hão de te procurar
Como é o silêncio?
E nesse momento, tudo deve calar
numa história que venha do povo
O juízo final

Zé Ramalho

página

25/09/2017

Ouvi e vi o oceano,
A inquietude das marés,
o barulho do meu coração
na página do dia sobre a terra.

Respiro um grande amor perdido
e lama em dias de chuva.

Se lembra quando a alegria
desfilava nas ruas de nossas pernas;
do clarão de lua em nossas janelas;
dos meus segredos em seu caderno?

Enquanto os passos não se atrevem,
é frio, é sem graça a minha sorte.

Eu sei, eu sei, há sempre um voo pássaro
uma nova página.

As estrelas dormem uma a uma
e não será de vez em quando
elas me lembram as cenas das ondas do mar
que vem e vão.

Eu só preciso viver coisas novas
e ficar em paz com meus planos.

O sol acaba de nascer bem longe daqui
É o meu novo endereço
para o que eu queira, para o que eu possa,
tenho tanta coisa para conquistar.

Tony Primo

ingincaginhazinha

22/09/2017

Todo dia
meus dias teimam em perder exatos 07 segundos na poeira das saudades.

Minha memória desnutrida e meu olhar de não olhar nada
ainda cismam de aparecer mais e mais vezes.

Uma nostalgia absurda toma conta do que sou
enquanto não vejo coração nem alma.

Cleber Camargo Rodrigues

veja (margarida)

20/09/2017

Veja você, arco-íris já mudou de cor
Uma rosa nunca mais desabrochou
E eu não quero ver você
Com esse gosto de sabão na boca
Arco-íris já mudou de cor
Uma rosa nunca mais desabrochou
E eu não quero ver você
Eu não quero ver

Veja, meu bem, gasolina vai subir de preço
Eu não quero nunca mais seu endereço
Ou é o começo do fim ou é o fim

Eu vou partir pra cidade garantida, proibida
Arranjar meio de vida, Margarida
Pra você gostar de mim

Essas feridas da vida, Margarida
Essas feridas da vida, amarga vida
Pra você gostar de mim

Vital Farias

mas não

18/09/2017

Na vontade de gritar,
meu silêncio
enverga
feito bambu
na ventania das almas.

Cleber Camargo Rodrigues

juízo final

15/09/2017

São experimentalismo
doidim quinem ele só
tomava coquetel de estricnina
no céu com são jorge
quando o profeta elias
resolveu adentrar a terra
num Forde 49 a querosene…

Luiz Müller

epigrama nº 9

13/09/2017

O vento voa,
A noite toda se atordoa,
A folha cai.

Não haverá mesmo algum pensamento
Sobre essa noite?
Sobre esse vento?
Sobre essa folha que se vai?

Cecília Meireles

ladainha à desimportância

11/09/2017

cecília vale
dois carlos
que vale cinco
carlos chagas
que vale dois
cândido portinari
que vale cinco
machado de assis
que vale dois
villa lobos
que vale cinco
juscelino
que vale dois
oswaldo cruz
que vale dez
castelo branco
que vale cinco
barão de rio branco
que vale dois
deodoro da fonseca
que vale duas vírgula
cinco

princesa isabel
que vale dois
duque de caxias

Luiz Müller

os pardais

08/09/2017

De manhã
Ouço o canto
Dos pardais
Pois
Acordam mais cedo do que eu

No entanto
Não ouvem eles o meu

Não estou
Tão feliz
Quanto eles

Saulo de Oliveira Campos