Posts Tagged ‘#RicardoSilvestrin’

palavra

05/07/2017

palavra não é coisa
que se diga
quem toma a palavra
pela coisa
diz palavra com palavra
mas não diz coisa com coisa
a palavra pode ser pesada
a coisa, leve
e vice-versa não é coisa alguma
a palavra coisa
não é a coisa palavra
palavra e coisa
jamais serão a mesma coisa

Ricardo Silvestrin

se

28/06/2017

::
se falasse
como quem desfalecesse
talvez não merecesse
a muda dicção
de quem calasse

se calasse
como quem não esclarece
talvez esfacelasse
o som da voz
de quem falasse
::

Diego Petrarca

afetivo e efetivo

21/06/2017

no alarde das dobras marginalizadas
a imensidão sempre é mais
carente

João Pedro Wapler

ilha

14/06/2017

só porque vive no mar
não quer dizer
que um pescador não conheça a terra
um pescador conhece muito bem a sua ilha

sabe que um lado
é sempre diferente do outro
sabe que os homens
preparam muito bem suas fogueiras
sendo que as mulheres
já possuem seu próprio fogo

Pedro Marodin

falamos de amor

07/06/2017

falamos de amor
para deter o tempo
fundear num golfo
de pura duração

falamos de amor
para sedar o medo
sensação de osso
em oxidação

então fixamos
no silêncio em nós
murmúrios de luas
gorjeios de flores

então laboramos
figuras de cor
mas poesia não é
|garantem doutores|
geléia d’amores

Luiz Roberto Guedes

isto tudo

31/05/2017

isto tudo
foi escrito no futuro
quando eu era mais maduro
mais cortês
foi tirado do escuro
escarrado
vomitado de uma vez
foi ditado por um cego
recebido de um morcego
letra ferida com prego
isto tudo não é tudo
eu sei
é só a parte que não sei.

Silvestrin Roberto

o lavrador de palavras

24/05/2017

O torso descoberto no dorso aberto da tarde
O lavrador de palavras planta palavras na lama.
A cada letra que planta é dez segundos mais velho
(Com licença, Vou me olhar no espelho).

Mano Melo

súbita paixão

17/05/2017

Agora o que faço com este
órgão escancarado,
taquicardíaco,
que viu o sol pela primeira
vez e não que abrir mão
de tanto deleite?

Noélia Ribeiro

ato falho

10/05/2017

o pássaro voa do galho
a árvore vai junto
num ato falho

Fred Maia

acharam o silêncio

03/05/2017

– Dedé! Dedéco!?
Onde é que tu tá, guri?

Eu nem um pio.

Revisaram a casa,
revistaram o pátio,
nada de mim.

– Dedé! Dedéco!?
Onde é que tu tá, piá?

Aqui dentro.

Escobar Nogueira